Chama Paralímpica em Joinville!

Os jogos olímpicos do RIO2016 terminaram, mas… fica, vai ter paralimpíadas! E a preparação está incrível!

Ontem, 05/09/2016, a cidade de Joinville (SC) estava em festa para receber a chama olímpica que Prometeus (tem que Cumpriris!) tomou de Zeus para entregar aos mortais! Joinville, a única cidade do Sul, e uma das 5 selecionadas do Brasil foi escolhida para a passagem do fogo paralímpico pela identificação e proximidade com as atividades de paradesporto. Que honra!

Eu não podia deixar de prestigiar esse momento único. Quando íamos pensar, há alguns anos, que Joinville receberia tal honraria? E quando vamos ter uma nova oportunidade de receber a chama paralímpica aqui?

O acendimento da pira aconteceu pouco depois das 17:30, no Centreventos Cau Hansen, mas a festa do revezamento já havia começado pela manhã, passando por diversos pontos turísticos e entidades que incentivam o paradesporto em Joinville.

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Estacionamento do Centreventos Cau Hansen, minutos antes de receber a chama paralímpica.

As ruas do entorno do Centreventos foram tomadas de diversidade humana. Bem do jeito que o blog gosta. 😀

Entre crianças, jovens e idosos, a expectativa era a mesma: a emoção da chama, que representa coragem, força e determinação, estava prestes a chegar!

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E chegou! A atleta Ádria dos Santos, a última condutora do revezamento, acendeu a pira paralímpica em Joinville, ao som de “A vida do viajante”, de Luiz Gonzaga.

Acho que nunca esquecerei da emoção desse momento. Muito mais que uma simples chama em revezamento, estamos vivendo a celebração do esporte como incentivador de vidas! E o mais incrível: a criação de referências para as crianças !

Antes de ir embora, pedi para registrar esse momento com um dos condutores.

img_7589 Esse é o Thiago, presidente da Associação de Apoio aos Surdos de Joinville, que estava emocionado por participar do revezamento. Disse que nunca imaginou viver emoção parecida! Obrigada mais uma vez, Thiago!

Os jogos olímpicos especiais para atletas com deficiência foram organizados pela primeira vez em Roma em 1960, imediatamente após os Jogos Olímpicos. Estes são considerados os primeiros jogos Paralímpicos da História moderna. Lá, cerca de 400 atletas vindos de 23 países, competiram em 8 esportes, 6 deles ainda inclusos no programa de competição Paralímpica (tênis de mesa, arco e flecha, basquete, natação, esgrima e atletismo). Desde então, os Jogos Paralímpicos são organizados a cada quatro anos, sempre no mesmo ano dos Jogos Olímpicos.

Neste ano, as competições ocorrerão na cidade do Rio de Janeiro (#Rídjanêro, para os íntimos), de 07 a 18 de setembro, com as mais variadas modalidades.

O que vai ter: ATLETAS com algum tipo de deficiência, motivados e competitivos querendo vencer.

O que NÃO VAI TER:  pessoas exemplos de superação/dificuldade, contando sua história de sofrimento e como a vida foi L0k4 com elas.

Joinville estará representada nos Jogos Paralímpicos pelos atletas Sheila Finder, Justino Barbosa dos Santos e Laercio Alves Martins (atletismo) e Talisson Henrique Glock (natação).

Vamos torcer!

 

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Sem Acesso visita – Arena da Baixada – Curitiba

Vou confessar: quando a dona Dilma falou que esta seria a #CopaDasCopas, eu pensei: “será a maior zueira que o Planeta já presenciou! Não vai ter acessibilidade, não vai ter legado nenhum!”. Depois de ver uma abertura sem qualquer destaque ao chute inicial do esqueleto, a preocupação aumentou.

Não viu o chute? O Sem Acesso mostra:

Mas sabe quando a gente morde a língua? Pois é…

O negócio é que #TáTendoCopa #MuitaCopa, caros leitores!

Sabendo que o Sem Acesso não fica fora de nada, dois leitores estiveram em dois jogos ocorridos na Arena da Baixada, em Curitiba/PR e fotografaram, com exclusividade para o blog, as formas de acesso ao estádio.

Primeiramente, é bom lembrar que, segundo o site da Copa 2014 PR, “dos 43 mil assentos do estádio, 212 assentos reservados para cadeirantes, 46 para deficientes visuais, 88 para pessoas com mobilidade reduzida e 88 para obesos. O estádio possui ainda sinalização específica, como piso tátil, indicação visual de degraus, elevadores e rampas com auxílio de corrimão, além de banheiros adaptados para homens e mulheres. Para quem tem carro, será reservado um estacionamento na Rua Iapó, próximo ao estádio, mas é necessário fazer um cadastramento prévio. O mesmo esquema funciona com pessoas idosas. O transporte público é acessível: todos os ônibus que estão na rota do estádio têm acessibilidade.”

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O caminho até o estádio. Veículos, além dos credenciados, não passavam

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Escadaria com piso tátil

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Os lugares reservados às pessoas com deficiência e seus acompanhantes ficava neste pavimento. Acredito que, para alcançar este andar, um outro aparelho de acessibilidade estava disponível.

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Lugares reservados: onde é possível ver duas cadeiras juntas (são para os acompanhantes), logo acima da primeira arquibancada.

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Visão interna dos camarotes

 

E sabe o que é melhor? Encontrar livremente matérias elogiando a acessibilidade do Estádio! Nada como opinião de pessoas que necessitaram utilizá-la para ilustrar este post:

* o sistema disponibilizado na PUC-PR – que precisava de registro e uma credencial, com ônibus saindo do local especialmente para pessoas de mobilidade reduzida foi eficaz;

* o transporte era feito da Rua Iapó até o estádio, tendo 250 vagas e ônibus exclusivo para deficientes e pessoas com mobilidade reduzida. Além disso, todos os ônibus da rota da Arena da Baixada possuem acessibilidade;

* os voluntários ajudavam e acompanhavam as pessoas com deficiência até seus assentos.

 

Não obtenho informações acerca dos demais estádios. Creio que sempre há empecilhos e coisas a melhorar, mas não é bom demais, num evento internacional, que o Brasil prove que aqui o acesso aos jogos é facilitado e que a acessibilidade, quando bem executada, é aproveitada por todos?

O negócio é torcer, leitores! Torcer pelo Brasil e para que esta experiência vire um legado para os próximos anos!

 

GOOOOOOOOL da acessibilidade!

Falando de amor

No Brasil recente, segundo o Censo de 2010 (o mais completo), existem cerca de 45,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência (mental, motora, visual ou auditiva), o que equivale a 23,9% da população brasileira.

Se existem 45,6 milhões de pessoas com alguma deficiência, existem milhares de mães que lutam diariamente pela… felicidade de seus filhos.

Quando criança, passava as tardes tomando Nesquick de morango e assistindo Vale a Pena Ver de Novo, Sessão da Tarde e finalizava com o Programa da Sílvia Poppovic. Entre uma fofoca e outra no programa desta última, lembro de ter ouvido um dado alarmante – que nunca mais esqueci – na época: cerca de 97% dos maridos abandonam o lar quando nasce uma criança com deficiência. Lembro de passar a olhar para meu pai com mais orgulho ainda. ❤

Mas hoje, este dado ensina o seguinte: esqueçam os Big Brothers… as mães é que são heroínas. Mães não abandonam quando tudo desmorona.

E mãe de alguém com alguma deficiência dá nó em pingo d’água. A verdade é que não existe modelo a ser seguido para criar um filho com deficiência. Isso varia de acordo com a cultura e a realidade da família. Mas uma coisa nunca muda: elas veem o copo meio cheio e sempre nos encorajam.

A coragem é o impulso da vida.

E elas nos encorajam a vencer medos, desafios, obstáculos, olhares curiosos. Todas as coisas que serão definitivas para o futuro.

Sabes por quê?

Porque elas sabem que as batalhas mais difíceis são, logicamente, dadas aos soldados mais fortes!

E, na próxima vez que você ver uma estrela cadente, podes ter certeza: há uma mãe pedindo pela felicidade de seu filho.

Não esquece do casaco!

“Sesame” – Não é feitiçaria, é tecnologia!

Desde a criação do blog, procuro trazer aos leitores informações, ideias e debates acerca de acessibilidade, que torna o famigerado “ir e vir” um direito garantido e de todos. Falando em acessibilidade, sabemos que o Brasil das últimas décadas vem recuperando o tempo perdido e, mesmo que muitas vezes após “batalhas judiciais”, vem instalando equipamentos que propiciem o livre acesso de todos, como rampas, plataformas, calçadas adequadas. Torço sempre para que as inovações cheguem por aqui e façam com que a vida seja realmente mais livre.

Hoje o blog apresenta a mais incrível inovação em acessibilidade: O “Sesame”,  desenvolvido pela empresa londrina de soluções para portas, Allgood.

Além de ser um elevador moderno e elegante, ocupa menos espaço, porque é escondido dentro de uma escada. Sabe aquele prédio histórico, que necessita de um equipamento de acessibilidade e não pode ter sua arquitetura modificada? O Sesame é uma excelente opção.

Para entender melhor, eis o vídeo:

O sistema ainda é um protótipo, contudo, a empresa já vem negociando a instalação do Sesame em diversos países da Europa e América do Norte.

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Fotos: hypeness.com.br

Quando um projeto é funcional, não fica mais interessante?

Para maiores informações: Allgood plc.

Lar, doce lar – Acessibilidade em condomínios residenciais

Quando compramos um imóvel para morar, a intenção é morar nele a vida inteira e, quem aluga, também não pensa em mudança tão cedo (se você for cigano e estiver lendo este post, desconsidere esta frase.).

A habitação, antes de qualquer outro lugar, deve atender as necessidades mais amplas: a dos moradores com deficiência (não importando o grau dela) ou que apresentem alguma restrição física temporária ou permanente, assim como dos visitantes que vierem a frequentar o condomínio. Além disso, é fato que todos queremos envelhecer um dia e, para que isso aconteça com segurança e conforto, é necessário que nossa residência proporcione isso da melhor forma possível.

Falando em envelhecer com conforto e segurança, lembrei de uma história: há cerca de um ano, fui representar minha mãe na inauguração do novo salão de festas do condomínio que morávamos há algum tempo. Os moradores do edifício são, em sua grande maioria, idosos que residem lá desde que o prédio foi lançado, nos anos 70. Bem, chegando na inauguração, que já estava embalada ao som dos sucessos de Francisco Petrônio e Julio Iglesias, fui barrada por um cruel degrau na entrada. Mas não era qualquer degrauzinho, não. Era o Everest dos degraus! Eu já estava suando frio, quando alguém me pegou pelos braços e me “içou” para dentro. Já no interior do salão, olhei ao redor e meio que me senti em casa: não era a única a usar muleta. Eu não conseguia pensar em outra coisa além de “ué, todo mundo foi içado para dentro do salão, por conta de um baita degrau já na entrada?”. Chamei o síndico TIM MAIA e idealizador da obra e perguntei: “Pra quê esse degrau na porta? Poxa, é bem inconveniente! Além disso, é só olhar ao redor: o pessoal tá envelhecendo!”. Recebi um olhar guriazinha-você-está-me-incomodando, um tapinha amygo no ombro e um “ééé…!”.

É, pois então.

Mas, o que esse senhor aí de cima não sabe é que a legislação federal determina que as habitações devem ser acessíveis.

Imagem para cego ver: Bette Davis, de vestido branco, fazendo um “eye roll”. Na imagem, está a frase “What a dump!”

Há um trecho do Decreto Federal 5.296/2004 assim:

Art. 18. A construção de edificações de uso privado multifamiliar e a construção, ampliação ou reforma de edificações de uso coletivo devem atender aos preceitos da acessibilidade na interligação de todas as partes de uso comum ou abertas ao público, conforme os padrões das normas técnicas de acessibilidade da ABNTSite externo..

Parágrafo único. Também estão sujeitos ao disposto no caput os acessos, piscinas, andares de recreação, salão de festas e reuniões, saunas e banheiros, quadras esportivas, portarias, estacionamentos e garagens, entre outras partes das áreas internas ou externas de uso comum das edificações de uso privado multifamiliar e das de uso coletivo.

Mas… o que isto quer dizer?

Isto significa que construções residenciais (condomínios, condomínios com vários prédios, condomínio de casas…) que possuam áreas de uso coletivo, como a piscina, quadra, lounge, salão de festas, devem garantir as condições de livre acesso e uso destas áreas, que também devem ser acessíveis, livres de quaisquer barreiras arquitetônicas.

Contudo, sinto em informar: esta regra é somente válida para construções, ampliações e reformas havidas posteriores à lei (2004).

Mas se meu condomínio foi construído anterior à lei e nem foi reformado ou ampliado? É obrigatório adaptar?

Infelizmente, não.

Fere a lógica pensar que uma pessoa que, como os personagens que mencionei lá no início do post, morou a vida inteira no local e, em um determinado momento da vida precise de uma adequação, seja obrigado a procurar outro local para moradia porque sua exigência – de acessibilidade – não tenha embasamento legal. A verdade é essa.

Mas o que fazer? Quebrar tudo?

De início, deve procurar o síndico TIM MAIA e convocar reuniões para apresentar aos condôminos suas necessidades e, até mesmo, mostrar os benefícios que as melhorias trarão: maior valorização do condomínio (porque lugar chique é lugar acessível), maior segurança para pessoas de todas as idades e maior facilidade para quem faz uso de carrinho de bebê, carrinho de feira, chega com malas ou, como consequência natural da vida, tornou-se idoso. Desta maneira, mesmo sem a obrigatoriedade da lei, os condôminos podem compreender essa necessidade tão nobre e organizar o orçamento para a empreitada, que geralmente é feita em etapas.

Mas sabemos que nem sempre chegamos a um acordo. Todo lugar tem seu mala. Assim, no caso de não se chegar a um consenso, há o recurso de procurar o Chapolin Colorado Ministério Público ou a Defensoria Pública, que esses sim, podem exigir do condomínio, com fundamento na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, a adequação dessas áreas.

Elenquei, apenas exemplificando, as áreas que devem ser adequadas:
– Calçada com inclinação, largura e pisos adequados;
– Entrada pela portaria principal, por rampa ou algum outro equipamento (elevador ou plataforma);

 

Elevador

Elevador na portaria principal

 

– Acesso ao hall de entrada e eliminação de qualquer desnível;

Do blog "Arquitetura Acessível" um exemplo clássico de prédios mais antigos: degraus no hall de entrada

Do blog “Arquitetura Acessível” um exemplo clássico de prédios mais antigos: degraus no hall de entrada

 

– Uso de áreas para recreação, como salão de jogos, de festas, piscina e academia;

Salão de festas de edifício multi familiar com desnecessária barreira arquitetônica

Salão de festas de edifício de uso privado multi familiar com barreira arquitetônica

– Banheiros acessíveis nas áreas comuns;
– Acesso e disponibilização de vagas estacionamentos para veículos.

Após toda a reforma realizada, todos os moradores e eventuais visitantes perceberão um grande ganho a todos. A luta de convencimento inicial (ninguém gosta de reforma, é normal) é transformada em orgulho de morar em um lugar apto a receber todos de forma segura. Pô, maior constrangimento é receber uma visita que tem que entrar pelos fundos do prédio, né?!

 E aí? O seu condomínio é acessível?

Dica de leitura

Hoje (08 de março) é comemorado o aniversário da Hebe Dia Internacional da Mulher. E, para marcar esse dia, vou indicar uma biografia incrivelmente inspiradora. É sobre uma mulher que, aos 26 anos, quebrou o pescoço e ficou tetraplégica deste então. Só que ela não parou.

Não entendeu nada?

Bem, há alguns anos, em pesquisas pela internet, encontrei esse vídeo:

É, eu me encantei.

Aí, no final do ano passado, descobri que a biografia dela foi lançada (e deve virar filme!). Comprei, li, fiquei ainda mais encantada e não pensei duas vezes antes de compartilhar com os leitores do SemAcesso. Afinal,  quem não gosta de uma história inspiradora?

1669597_638566132859964_192406525_o“Depois daquele dia – Milly Lacombe”

Desde o acidente que a deixou tetraplégica, Mara é acompanhada e auxiliada 24 horas por dia, até para atividades mais simples, como tirar o cabelo da testa. Mesmo assim, a paralisia nunca foi um obstáculo. Nesses quase 20 anos, Mara foi muito mais longe do que você imagina (hoje Mara é deputada federal) e decidiu ajudar aqueles que, como ela, se recusam a aceitar as limitações impostas pela falta de acessibilidade das cidades e pela visão distorcida da vida da pessoa com deficiência.

“Depois daquele dia” tem narrativa não linear, o que deixa a leitura ainda mais interessante. Ora o leitor está sentado à mesa com Mara tendo algum tipo de conflito com seus pais, ora mergulha nos pensamentos da biografada.

Selecionei um trecho que resume também a minha visão sobre a acessibilidade:

“Quando a gente equipa, planeja e constrói um país para todas as pessoas, a gente descobre que quem tinha uma deficiência era o país, e não as pessoas.”

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Vale a leitura, hein?!

Como receber as atualizações do blog no Facebook

Se você acompanha o blog pelo Facebook há algum tempo, deve ter percebido que a rede social mudou suas configurações e que agora você não recebe todo o conteúdo da fanpage do SemAcesso e tantas outras. Isto ocorre porque o Facebook mudou sua política de publicidade e, assim, menos de 10% das pessoas que curtem a fanpage recebem as atualizações (a não ser que o proprietário da página pague pela divulgação do conteúdo).

Mas há uma solução: ao entrar na página do SemAcesso no Facebook, clique em “curtir”, depois na opção “Obter notificações” e no botão “Seguir”, de acordo com a imagem abaixo:

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Viu como é fácil? Agora as atualizações do SemAcesso voltarão a aparecer na sua linha do tempo! 😉

Acompanhe-nos pelo Facebook também! Sempre há atualizações bem interessantes (na maioria das vezes são indicações dos queridos leitores) relativas ao blog!

“Facebook: É gratuito e sempre será!” Será?

Curta a página do SemAcesso no Facebook! E convide seus amigos! 😉

 

‘Judiciário deve proporcionar acesso a todos’

Ontem, enquanto fazia uma pesquisa no site do TJ-SC, encontrei esta notícia:

O presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Nelson Schaefer Martins, recebeu na manhã desta sexta-feira (21), em seu gabinete, os presidentes da Associação Florianopolitana de Deficientes Físicos (Aflodef), José Roberto Leal; da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE), Rosemeri Bartucheski; e o representante da Associação Catarinense para Integração do Cego (Acic), Leonardo Apolinário Inácio.

Antes da assinatura simbólica de duas ordens de serviço para a reforma dos Fóruns de Joinville e Fraiburgo, o presidente do TJ fez questão de ressaltar que esse simples ato simboliza o esforço do Poder Judiciário em oferecer à sociedade de Santa Catarina a acessibilidade de que muitos necessitam. “Sem acessibilidade, não poderemos oferecer justiça”, sintetizou Nelson Schaefer. O predidente do TJ disse, ainda, que fará tudo para assegurar os direitos da sociedade referentes ao acesso físico às dependências dos fóruns, e para viabilizar aos deficientes visuais o acesso às decisões publicadas no site do TJ. “Este é um momento importante no início de nossa caminhada, vamos buscar a igualdade a todos, sem restrições”, finalizou. Schaefer foi bastante aplaudido pelos presentes, que fizeram questão de destacar o interesse demonstrado pelo Judiciário em debater a questão da acessibilidade com as associações.

[…]

Eu li “Reforma” na mesma frase de “Fórum de Joinville“?

Continua…

Em seguida, todos se dirigiram à sala de reuniões da presidência, onde, de forma simbólica, assinaram ordem de serviço para a reforma dos Fóruns de Joinville e Fraiburgo. Presentes também ao encontro o diretor-geral administrativo do TJ, Cleverson Oliveira, e o diretor de Engenharia e Arquitetura (DEA), Herlei José Cantú, entre outros.


É verdade!

A pedido do presidente do TJ, o diretor da DEA fez um breve relato das obras que terão andamento durante a presente gestão. Segundo o cronograma apresentado, estão em execução obras nos Fóruns de Armazém*, Ascurra*, Brusque*, Capital – Sede*, Descanso*, Fraiburgo*, Correia Pinto*, Gaspar, Lages*, Pomerode*, Rio do Sul, São Miguel do Oeste*, Tijucas – Canelinha* e Videira* (*obras a serem concluídas no biênio 2014/2015).

“Os novos fóruns já contemplam a acessibilidade e, quanto aos prédios já construídos, já temos projetos para adequar essas instalações, a fim de garanti-la”, disse Herlei. Ao encerrar a reunião, o desembargador Nelson ressaltou que deve haver conscientização de que a acessibilidade deve atingir a todos.

(*Para quem quiser ler a notícia na íntegra: http://app.tjsc.jus.br/noticias/listanoticia!viewNoticia.action?cdnoticia=29635)

Fico feliz quando leio que a acessibilidade deve atingir a todos, porque esta é a maior bandeira do SemAcesso! Acessibilidade nunca foi e nunca será algo exclusivo de certos guetos da sociedade. Acessibilidade é um direito de todos e ponto final.

E pensar que a intrépida trupe do SemAcesso deu um…digamos… “empurrãozinho inicial” para estas “mudanças” me enche de orgulho!

Nada neste sentido vem fácil (é demorado, envolve várias pessoas e setores, boa vontade, além de outros fatores), mas atentar-se para isto mostra o grau de maturidade de uma sociedade. Colocar-se no lugar do outro é um dos principais desafios da nossa época.

#SemAcesso deixando legados 🙂

Sem Acesso visita: Bovary Snooker Pub

Já imaginou um lugar moderninho, frequentado por várias “tribos”, com boa música e bebida?

Um lugar que serve batata frita com bacon e, de repente, começa a tocar a trilha sonora de Grease, nos tempos da Brilhantina?

Um lugar em que as pessoas fazer happy hours jogando sinuca e saem de lá após show de alguma banda cover de alguma “banda-mito“, tipo Beatles?

Esse lugar é o Bovary Snooker Pub, em Joinville.

Pena que é SEM ACESSO!

A Casa é localizada no segundo andar de um prédio, cujo único meio de acesso é por meio de escadas.

Antes da reforma de 2013, a entrada E saída de pessoas era por meio de uma única escada, que apelidei gentilmente de “Escada da Nazaré“.

Você já subiu ou desceu bêbado(a) essa escada? Ficou com medo? Foi com ou sem emoção?

Pois bem. Após o anúncio da referida reforma, fiquei animada com a possibilidade finalmente existir algo que remeta à acessibilidade lá, já que ninguém pensou nisso quando o projeto foi aprovado.

Aí construíram outra escadaria, esta para saída de pessoas, mais ampla e nos fundos da Casa:

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É, não foi desta vez. Mas eu adotei uma filosofia: se o lugar não tem acesso, o problema é do lugar. A exceção da famosa hamburgueria que tentou trocar acessibilidade por lanchinhos, não deixo de frequentar o local. E é claro, de encher o saco de todo mundo exigir acessibilidade, algo que deveria ser óbvio.

Esses dias visitei o Bovary novamente.
Era aniversário de uma amiga querida, e enfrentei a escada cheia de coragem.

Olá, como vai?

Olá, como vai?

Mas olha, a experiência nunca é das melhores, já que preciso de um bom aparato, tanto na entrada, quanto na saída:

Chateadíssimas!

Na madruga #boladona

Sem contar que corrimão de escada de “balada” não é algo muito higiênico.

Mas o SEM ACESSO não é só baixo astral!

Semana passada recebi a melhor das notícias:

Senhoras e senhores: O Bovary vai receber um elevador!

Significa que não precisarei mais de forte aparato para me divertir. Significa que (após um bom tempo) a batata frita, a sinuca, a trilha sonora de Grease, foram democratizadas!

E o blog estará bem atento quanto esta “promessa”!

“Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Fa Far Better” para todos… em breve!

Nós vamos invadir sua praia

E aí, vivente! Aproveitou bem o verão? Pelo menos aqui em Santa Catarina, os dias foram de luz e festa no mar!

Mas… você reparou na acessibilidade das praias?

Como é que é? Acessibilidade na areia?

Como você fez para chegar até a areia carregando o frango, a farofa e a câmara de ar? Desviou da restinga, pisou na roseta e queimou os pés na areia escaldante? Não tinha sequer um caminho de pedras?

E a pessoa com o carrinho de bebê? Chacoalha a criança até virar milk-shake?

E o tio do picolé? Por onde ele passa, com aquele carrinho pesado, até chegar na “areia firme”? Como ele foi parar lá?

Há alguns dias atrás, uma leitora, que mora em Curitiba, estava assistindo o noticiário do horário do almoço, quando se atentou para esta matéria: PARANÁ TV 1a edição: Redação móvel mostra a falta de acessibilidade no litoral

O vídeo (que não consegui postar aqui – mas é só clicar aqui) é interessantíssimo e atenta para algo alarmante, mas que muitos não param para pensar: o acesso de pessoas à maioria das praias brasileiras, ao mar, ao pé na areia, ao picolé derretido sob o Sol da praia é SOFRÍVEL e INSEGURO!

Não, não estou falando em asfaltar a praia, mas por que não facilitar para todos?

E se fossem criados “caminhos” ligando a calçada ao mar?

Olha só que interessante:

Fonte: Blog Arquitetura Acessível

Fonte: Blog Mão na Roda

É algo simples, barato, funcional e fará a diferença na vida de muitas pessoas. Até quem vá de bicicleta vai se beneficiar!

Praia acessível: quem não quer?

A praia é para todos!

Árvore dos desejos

“Reza a lenda indiana que no paraíso existem ‘árvores dos desejos’. Você simplesmente senta debaixo delas, deseja qualquer coisa e imediatamente seu desejo é realizado – não há intervalo entre o desejo e sua realização.”

Neste Natal, o Fórum da Comarca de Joinville (o mesmo deste post) armou uma árvore natalina ornamentada por papéis em que são depositados os desejos, do público que por ali transita, para 2014.

A ideia é ótima e o blog percebeu que os pedidos são os mais variados: desde saúde e paz para todos até casamento:

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Fórum

 

Lá está: entre pedidos de “casar” e “deixar de viver no vermelho”, um pedido justo para 2014:

Lá está: entre pedidos de "casar" e "deixar de viver no vermelho", um pedido justo para 2014.

Por um ano novo mais livre. 

 

Sem Acesso visita: Fórum da Comarca de Joinville

Ah, o Fórum: O local estão instaladas as varas de justiça estaduais e seus departamentos auxiliares. Em alguns casos (como em Joinville) o Ministério Público divide as instalações com o Judiciário, pela agilidade que esta proximidade pode proporcionar.

Em Joinville, o (novo) Fórum Governador Ivo Silveira foi inaugurado em 11 de dezembro de 1998, na presença de várias autoridades, entre elas o Presidente do Tribunal de Justiça, Desembargador João Martins, o Governador do Estado, Paulo Afonso Evangelista Vieira e o Prefeito Municipal, Luiz Henrique da Silveira.

Fonte: NDOnline

Diariamente o prédio recebe inúmeras pessoas, dentre elas testemunhas intimadas para audiências, funcionários, juízes, advogados, promotores, serventuários da justiça, espectadores das sessões de Tribunal do Júri, réus, vítimas e a lista não termina por aqui.

Considerando estarmos diante de um prédio público de grande circulação de pessoas, a acessibilidade (o ir e vir sem ajudinha) deveria ser regra.

Vejamos o que diz o “Portal da Transparência”, no site do Tribunal de Justiça de Santa Catarina:

Acessibilidade Total

Acessibilidade Total

O Fórum da Justiça estadual é totalmente acessível?

Vejamos o acesso ao pavimento térreo (porta principal). O prédio conta com 2 vagas de estacionamento reservadas para pessoas com deficiência. Até é possível estacionar (quando as vagas não estão sendo vergonhosamente utilizadas por pessoas que vão passar só 5 minutinhos no Fórum), mas para ter acesso ao prédio, é preciso “vencer” essa “rampa”:

Uma "rampa" com várias crateras e livre de qualquer corrimão para apoio

Uma “rampa” com várias crateras e livre de qualquer corrimão para apoio. #TeVira

Várias mulheres de salto já reclamaram que precisam descer essa rampa com a graça de uma garça bêbada, pelo sério risco de queda.

Ah, mas a entrada dos funcionários deve ser mais apresentável!

Vejamos:

Uma desnecessária faixa de brita (?) divide o pavimento dos veículos do grande degrau que dá acesso ao prédio

Uma desnecessária faixa de brita (?) divide o pavimento dos veículos do grande degrau que dá acesso ao prédio

Até que tentaram ajudar com uma rampa-placebo:

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Mas não ajudou

O Sem Acesso teve acesso a um informação importante: Até ano passado (2012) o prédio não contava com vaga de estacionamento privativa para funcionários deficientes físicos (no interior do pátio). Depois de muita insistência (uns 09 meses de negociação), uma funcionária obteve essa vitória e – veja só! – até fotografou para o blog o momento da instalação da placa:

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Desde este dia, o Fórum da Comarca de Joinville passou a contar com essa vaga, que fica muito perto da porta, mas é separada por um acesso precário, para não dizer SEM ACESSO.

É inadmissível que um “lugar” que cobra a acessibilidade dos demais lugares não cumpra a própria! É inadmissível ver um advogado com deficiência sendo carregado para poder ter acesso ao prédio! É inadmissível que uma pessoa com qualquer deficiência ou idosa venha até o Fórum em busca de orientação para seus direitos (sejam eles ligados à deficiência ou não) e precise ser carregada por estranhos!

Desconfio que o Fórum esteja, ainda, em fase de acabamento, porque se não oferece acesso a todas as pessoas, este lugar não está pronto.

Acredito que 2014 será um ano de mudanças neste local! O blog SemAcesso espera noticiar, em breve, as adequações que o Fórum precisa.

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Fonte: Conselho Nacional de Justiça

Moça, você é guerreira

Esperava sozinha, em um gelado banco verde musgo, o horário de entrada do meu estágio no Escritório Modelo – obrigatório no últimos suspiros do curso de Direito da Univille – quando percebo um “cochicho” e olhares curiosos ao lado: eram dois rapazes que nunca havia visto. Um deles, devo dizer, carregava uma cruz de madeira pendurada no pescoço.

Fingi que estava lendo. E eu lá ia me importar com gente com cara de esquilo assustado? Passei boa parte da vida sob esses olhares, não seria o olhar do cara-da-cruz-de-madeira que iria me abalar.

Mas o cochicho continuou e, olhei.

Um deles veio em minha direção.

“Ai meu Deus. É um psicopata da Univille! Amanhã, nos jornais, só vai dar ‘Estudante de Direito é esfaqueada com um canivete enferrujado dentro da Universidade.’!”, pensei.

Seria sequestrada e amanheceria nunca banheira encardida e sem um rim?

Respirei fundo e arquitetei: “É só dar uma “muletada” n…” e ele começou a falar. Obviamente não me recordo da íntegra, mas foi algo como “Você é filha de Deus, um presente para a Terra. Você é um exemplo de superação! Moça, você é guerreira!

“ÃHM?”

Confesso que deslizei no banco para o lado oposto ao dele. Aquele mancebo não me conhecia e achava que eu era “exemplo de superação”? Pôxa, estava só esperando o meu horário de estágio e, do nada, virei uma guerreira, um Power Ranger cor de rosa?

Quase chamei os “guerreiros” do BBB para formarmos um poderoso Megazord.

Achei estranho, mas achei melhor não retrucar, afinal, aquela era a convicção dele e, vamos combinar: nunca vi na vida.

Só passei o resto do dia confusa e rindo. E confusa.

Mas só contei essa história porque quero chegar a um ponto: ter uma deficiência não torna a pessoa mais inteligente, mais sensata, imaculada, iluminada. Pessoas continuam sendo pessoas, mesmo as que têm deficiências. Não há um pedestal na evolução humana, não, viu?! Não temos um lugar cativo no Paradise por conta de uma deficiência. Não adianta cortar o dedo minguinho, ok?

Acho muito “engraçado” como a mídia (não só a brasileira) e, até mesmo o senso comum, expõe uma pessoa com deficiência: ou ela é heroína da superação ou uma coitadinha. Você já reparou?

Tem jornalista que adora o seguinte nariz de cera: “Fulana que, apesar da deficiência, está quebrando tabus e conseguiu estudar/trabalhar/casar/fundar uma ONG…”.

Sinto um misto de vergonha alheia com preocupação ao ler algo assim. Vergonha alheia porque fico pensando o tipo de coisa que passa na cabeça de alguém que escreve isso. E preocupação é a formação de opinião que estas pessoas podem realizar.

Parece até que não existe um “meio termo”, onde “somos” seres humanos perambulando pelo mundo como qualquer outro, de modo que qualquer conquista é louvada, potencializada, é tida como um milagre e etc e, um fracasso é (só pode ser) culpa da deficiência – “coitadinha dela!”.

De uma vez por todas: deficiências em nada tem a ver com capacidades e incapacidades!

Abandone o “coitadismo” e foque na acessibilidade… por uma vida mais livre!

É uma pena que acessibilidade AINDA não chame audiência.

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Não sou especial. Sou edição limitada!

Unha da semana

Quem é menina e tem unhas sabe: ficar muito tempo sem ir à manicure pode tornar sua mão horripilante.

E ninguém escapa:

“Oh boy…”

Estava, vergonhosamente, há uns 15 dias sem mexer nas minhas unhas. A situação estava periclitante.

Estava assustando a sociedade

As tarefas do dia-a-dia estavam complicadas…

Não estava sendo fácil

Em uma bela sexta-feira, resolvi tomar vergonha na cara e marcar uma manicure… afinal, sábado tinha fiesta!

#TipoLinda

Telefonei para o salão de beleza que sempre frequento, cujo nome-fantasia é composto pelo nome das donas… mas não tinha horário. Telefonei para outro: também não. E outro: “só semana que vem, meu doce!”.

Até que consegui marcar em um outro salão que nunca havia frequentado. Mas algo me dizia que não daria certo.

Cheguei pouco antes do meu horário e encontrei  um estacionamento lotado. Dei a volta e procurei pela vaga privativa para “dificientis” físicos e a encontrei parcialmente ocupada. Assim…2/3 da vaga ocupada por um carro de tiozão sem qualquer identificação que transportava um “quebrado”.

Parei meu carro ao lado da vaga e fiquei pensando: “Meu carro não entra aí. Nem a pau. Se eu tentar, vou quebrar alguma coisa da porta de entrada. Mas será que eu sou tão incompetente assim? Ué… a vaga está ‘em tese’ vaga…”.

Subitamente meus pensamentos foram interrompidos por um senhor que, do interior do salão de beleza, abriu uma janela e disse:

– Eiii, psiu!

Não costumo atender a um chamado desse, mas olhei. Abaixei o vidro e o senhor, dono funcionário do estabelecimento, continuou:

– Estaciona aqui ó (apontando para a vaga privativa)! Só deixa meio de lado mesmo! Essa vaga ninguém usa, não temos clientes ‘dificientes’! Ninguém usa nesse horário!

Foi quando percebi que ele não percebeu que meu carro tem o Símbolo Internacional de Acesso e eu, bem… tive que falar:

– Mas eu sou ‘dificiente’!

“ops”

Totalmente contaminada pelo vírus SemAcesso.com, retruquei:

– Vocês sempre fazem isso? Não tem vaga e o próprio estabelecimento orienta a estacionar nessa vaga? Essa vaga deve estar sempre disponível para quem precisa!

Ele ficou um pouco desnorteado. Vi que olhou para os lados, balbuciou algo para trás, e continuou:

– Ããh éé ããh, vou tentãr tirããr esse carro daqui… peraí…

Olhei novamente para minhas unhas precárias, respirei fundo e pensei que poderia ser paciente. Estacionei num cantinho e aguardei…até levar uma buzinada de uma cliente! Afinal, estava realmente obstruindo o “trânsito” no estacionamento.

Caí na real:

“O que estava fazendo? Tentando entrar num estabelecimento SEM ACESSO? Esperando resolverem uma situação que o próprio estabelecimento armou? Eu iria mesmo tolerar essa falta de respeito?”

Arranquei o carro de lá. Estava com o coração cheio de mágoa e fogo saindo pela boca. A Vera Verão que existe em mim já estava sentada no banco do carona, com os vidros abertos e gritando:

“ABSURDOOOOOOOO!!!”

Estava decidida: voltaria lá, mas voltaria armada pediria um pouco mais de cuidado com essa vaga.

Voltando ao estabelecimento, percebi uma certa movimentação no estacionamento. Eis que aparece um funcionário com as chaves do carro de tiozão que ocupava boa parte da vaga. Mas o carro era, aparentemente, automático, e ele não conseguiu tirar do lugar.

Meu horário de manicure já estava estourado, e minhas unhas, um bagaço. Decidi voltar para casa.

Telefonei e me identifiquei. Disse que não faria as unhas naquele dia por esse motivo que você leu acima. A atendente respondeu que ninguém viu que a vaga estava ocupada, mas… a vaga fica na porta! NA PORTA. Eu hein.

Mas não importa… afinal, ninguém usa essa vaga mesmo, conforme o próprio estabelecimento prega.

Enviei um e-mail ao salão de beleza descrevendo a situação e, uma semana depois recebi uma resposta que, dentre várias firulas, contou que o estabelecimento vai contratar um manobrista. Hmm… precisa mesmo de manobrista para criar respeito?

Veja: Estas vagas próximas da porta não são luxos para quem as pleiteia ou exigências chatas dos órgãos chatos da chata da fiscalização. Essas vagas próximas da porta são extremamente necessárias para a autonomia de quem as utiliza e devem estar sempre disponíveis aos clientes deficientes e aos novos clientes deficientes, independentemente do horário.

Por exemplo, eu não fiz minhas unhas porque sequer consegui sair do carro. Não poderia, de igual forma, estacionar na rua e contar com a sorte de um amor tranquilo não cair na sarjeta para chegar no salão de beleza. A vaga destinada ao meu uso (próxima da entrada) estava sendo utilizada por alguém que poderia estacionar um pouco mais longe da porta.

O que mais impressiona é essa mania, cada vez mais frequente, de estabelecimentos da cidade incentivarem a usar essas vagas quando a pessoa não necessita delas porque lá não tem clientes “dificientes”. Arranquem essas placas da parede e pintem o pavimento de cinza de uma vez.

Mas e a pessoa que estaciona? Porque obedece?

Você mataria alguém porque “o guarda ali” mandou?

Só queria fazer as unhas…

SemAcesso visita: Sociedade Harmonia Lyra

Quem é de Joinville sabe: a Sociedade Harmonia Lyra é sinônimo de sofisticação. Com mais de 150 anos de história e uma arquitetura que remete aos palacetes europeus, o clube foi palco de incontáveis bailes de gala e carnaval, shows, teatros, exposições, desfiles, formaturas, casamentos, festas de 15, 30, 80… 100 anos. Foi, inclusive, em 1983, “berço” do nosso famoso Festival de Dança de Joinville.

Sociedade Harmonia Lyra

Sociedade Harmonia Lyra

Um lustre testemunha de taaantas histórias...

Um lustre testemunha de taaantas histórias…

É como se no centro de Joinville existisse uma espécie de portal para voltar no tempo. Ao entrar lá, tem-se a impressão de estar em outra época. A sensação não é à toa: é a associação mais antiga de Santa Catarina.

Lá, dentre outros eventos que o clube centenário pôde receber, inúmeras moças foram apresentadas à sociedade, casais juraram amor eterno, jovens brindaram suas formaturas e diversos cantores e atores apresentaram suas artes.

A debutante Roseli Marcantoni desfila pelos salões da Sociedade Harmonia Lyra

A debutante Roseli Marcantoni desfila pelos salões da Sociedade Harmonia Lyra

Anos mais tarde, a filha da Roseli comemorou seus 15 anos no mesmo local…

 

Mas havia um porém: uma grande escadaria separava o salão principal (cujo nome correto é “Salão de Festas”) e o salão Nobre do térreo. Qualquer pessoa com alguma dificuldade de locomoção que chegasse a qualquer evento na Sociedade Harmonia Lyra tinha três opções:

a) Não subia;

b) Segurava na mão de Deus e ia;

c) Olhava para os lados e pedia para alguém fazer a tal “cadeirinha”.

Se você não for a Kylie Minogue sendo carregada por Domenico Dolce e Stefano Gabbana, a “cadeirinha” não tem qualquer glamour cabimento.

"Nós na Lyra"

“Nós na Lyra” #luxo #glamour #iphonesia

Até que alguns leitores do blog enviaram uma matéria que devolveu fé à humanidade me deixou muito orgulhosa. A Sociedade Harmonia Lyra, que é um prédio tombado e não pode realizar grandes modificações em sua estrutura, acabara de inaugurar uma plataforma de acessibilidade acoplada à escadaria. O esquipamento é italiano, custou R$ 70 mil e foi custeado, em parte, pela ACIJ.

Note que os empresários da ACIJ não chamaram uma colunista social ou apareceram no jornal para a inauguração da plataforma. Os empresários sabem que associar suas empresas a qualquer doação seria vaidade, nunca caridade. Eles sabem que acessibilidade não é caridade, mas um direito. Um direito de todos.

E não pararia por aí: um banheiro estava sendo readequado para uso de cadeirantes e a fachada ganharia uma rampa de acesso.

Não me contive. Chamei minha mucama assessora e hoje visitei a Sociedade Harmonia Lyra:

Vaga de estacionamento sinalizada e respeitada

Vaga de estacionamento sinalizada e respeitada

A plataforma acoplada à escadaria

A plataforma acoplada à escadaria

Plataforma pronta para o uso

Plataforma pronta para o uso

Testando a plataforma

Chegamos ao Salão de Festas:

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Acredite: somente graças a esta plataforma, conhecer o Salão de Festas foi um “sonho possível” para muita gente.

E tem mais pela frente: o clube, em breve, vai contar com uma rampa de entrada definitiva e um banheiro acessível:

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Com esta visita pude constatar que essa história de “ãh não tem como adaptar, moça… é prédio histórico blã blá blã…” é um grande engano! Basta que existam COBRANÇAS e BOA VONTADE. Veja só: Finalmente a Sociedade Harmonia Lyra é um clube de TODOS! Descobri que o clássico e a tecnologia formam um casal muito simpático.

Agora sim!

O glamour é para todos!

Sem Acesso na TV

Não canto, não danço, não represento, não lavo, não passo, e só sei cozinhar pizza frita, mas quinta-feira passada (24/10) fui gentilmente convidada a participar do programa TVBE Entrevista com Sérgio Silva, para falar sobre o SemAcesso e essa mania de querer um mundo sem barreiras. O programa foi ao ar às 22 h da sexta-feira 25/10 e ao vivo.

Eu nunca apareci na TV, muito menos ao vivo… mas vi uma oportunidade incrível que divulgar a ideia do Sem Acesso, e do meu jeito:

E, é claro, fazer aquela crítica:

E lá fui eu, muito bem amparada pelos “assessores”:

Bastidores

Dizem que o vídeo é esse. Não assisti porque eu e minha voz temos uma rixa antiga… 😆

Frio na barriga por uma boa causa

Um par de asas

Eu tinha uns 7 ou 8 anos quando conheci, em uma das 6729592 clínicas que frequentei, uma moça chamada Helena. Helena era jovem, independente e, assim como eu, ela também fazia fisioterapia desde…sempre. Mas ela fazia algo que me encantava: ela dirigia.

Não dirigia um andador ou um aparador de grama. Helena dirigia um carro, adaptado para ela, pelas ruas de Joinville. Sozinha.

Helena não era triste e dirigia. Aquilo me inspirou.

O tempo passou e nunca mais vi Helena. Talvez tenha sido daquelas presenças que surgem na vida da gente para inspiração. Daquelas que, se não tivessem aparecido, as ideias seriam diferentes.

Eu fui crescendo, mudando de fisioterapeutas e escutando muitos “você nunca vai dirigir sozinha!” “você não tem reflexo!” “é muito perigoso para você!” “você dirigindo um carro? nunca!”.

Fiz 18 anos e criei uma obsessão: tirar a tal carteira de motorista. Não, eu não queria fazer racha na BR. Queria dirigir um carro. Eu não saía sozinha pelas ruas…queria ter os cabelos ao vento. Pesquisei, pesquisei, pesquisei e descobri que não seria fácil. Teria que passar por uma Junta Médica que atestasse que eu tinha as condições mínimas que me permitissem dirigir um veículo automotor e precisaria de uma autoescola que contasse com um veículo adaptado. Na época, descobri que somente uma (onde fiz as aulas) contava com o tal veículo aqui em Joinville. No mais, era um processo de habilitação como qualquer outro.

A primeira vez que eu tirei o carro da autoescola do lugar, senti meu coração saindo pela boca de tanta alegria. Eu estava dirigindo. Dirigindo um carro!

Aquilo era uma façanha.

Foi incrível mas, assim como você, eu deixei o carro “morrer”, liguei o pisca pro lado errado, quase joguei o carro no mato e senti que o instrutor não segurava na argola de segurança porque ele gostava. Ele estava com medo.

Aprendi e, desde então, dirijo utilizando as mãos. Posso usar os pés para sapatear, se quiser.

Na época da autoescola, o carro não era automático e, portanto, deveria, com a mão direita, trocar a marcha que, por sua vez, tinha um sensor que acionava a embreagem. Ainda com a mão direita, deveria segurar o volante. Com a mão esquerda, pressionava uma “alavanca” para frear e “puxava” no meu sentido para acelerar. Ou seja: ou prestava muita atenção ou precisaria de, no mínimo, 3 braços para tocar a “engenhoca”.

A primeira (e única) prova prática foi marcada para uma manhã de janeiro. Não era uma manhã qualquer: chovia toda a chuva do ano naquele dia. Enquanto minha mãe rezava num cantinho (aquela chuva não era normal) eu era aprovada na prova.

Um portal se abriu.

Ou não: Mesmo com a CNH em mãos e contando das minhas aulas num carro sem direção hidráulica, muita gente voltou a repetir o velho mantra que ouço desde sempre: “você nunca vai dirigir sozinha!” “você não tem reflexo!” “é muito perigoso para você!” “você dirigindo um carro? nunca!”.

Sei que era “cuidado“, mas eu já sabia do que era capaz.

Decidi que não ouviria essas pessoas.

Os anos passaram e percebi que não adiantaria uma CNH nas mãos e coragem na cabeça sem um carro para chamar de meu. Depois de uma novela sui generis de 09 meses com a Receita Federal (que é pano pra manga para outro post), adquiri meu primeiro carro. Ele nasceu!

Recebendo as chaves do vendedor da concessionária

Recebendo as chaves do vendedor da concessionária

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E adaptei:

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Mas como estava há anos sem encostar em um carro, fiz algumas aulas, no meu próprio carro, com uma instrutora muito paciente. Queria evitar transtornos por aí…

Quando vi, estava na BR a caminho de São Francisco do Sul (cidade vizinha). E de lá pra cá, passei a usar esse meu par de asas.

A emoção é sempre única! E conduzir quem já muito me conduziu é uma honra sem igual:

Percebi também que nosso cotidiano é feito de pontos de vista: para muitos, um engarrafamento é um pé no saco problema; para mim, uma parte importante da minha conquista.

Meu primeiro engarrafamento teve uma ilustre Lua cheia...

Meu primeiro engarrafamento teve uma ilustre Lua cheia…

Feliz de nós que vivemos em uma época em que a tecnologia da adaptação pode ser a chave para uma vida mais livre. Quase todos os veículos podem ser adaptados para quase todas as deficiências.

Mas ainda não inventaram um carro para que um deficiente visual possa utilizá-lo.
Ops! Inventaram, sim! Não é mesmo, Namaria?

Pesquisadores brasileiros criam carro que anda sozinho… e atropela a Ana Maria Braga.

 Criei este post na intenção de espalhar uma mensagem e deixar um mito para trás: ninguém conhece os limites do outro. Ninguém tem o direito de dizer que alguém “não tem condições” para fazer algo. A tecnologia e a vida surpreendem!

Felicidade é ter os cabelos ao vento!

Obrigada, Helena!

Um olhar sobre o passado

Dizem que lembrar o passado dá mau agouro. Dizem que “não presta”, que dá azar. Particularmente discordo disso. Eu me dei conta que o passado tem muito mais a nos ensinar do que nos prejudicar. Olhar para o passado faz parte da vida… e foi justamente isso que fiz esses dias:

Estava na sala de espera do meu médico psiquiatra, quando reencontro uma elegantíssima mulher que sempre demonstra simpatia comigo. Sempre que a encontro, ela sorri e, entre delicadezas, diz: “Meu filho estudou contigo!”. E eu juro que não sei quem é o garoto. Naquele dia não foi diferente, mostrando, inclusive, uma fotografia do tal garoto que supostamente estudou comigo. Disse que não lembrava e ela insistiu mostrando uma fotografia do filho ainda criança: “Ele fez maternal III contigo, lembra?”. Olhei fixamente para aquela fotografia. Aquele garoto até me parecia familiar… E veja só: a mãe dele lembrava de mim, mas eu não tinha qualquer lembrança daquela então criança.

Saí de lá preocupada. Será que eu tinha perda de memória? Será que eu era uma criança antipática? Será que eu tinha piolho?

Foi graças àquele encontro que me vi olhando para o passado.

A cidade era Joinville, o ano era 1993 e eu era uma criança fã da Xuxa que queria “começar a estudar”. Mas eu inspirava cuidados – não muitos, vale dizer: eu só não andava.

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Meus pais fizeram uma busca na Joinville de 1993 e encontraram uma Escola, a princípio, pra lá de especial: era uma Escola nova na cidade, muito bem recomendada, com arquitetura parcialmente acessível e cheia de gente com boa vontade para me receber. Era como se tirassem uma escola da novela e colocassem na vida real.

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Foram poucos meses lá, mas suficientes para criar lembranças como:

– O que vocês estão fazendo aí? Venham pra cá brincar!

– ‘Tia’, e a Larissa?

– Deixem ela aí, ela não anda!

Toda boa história tem uma vilã (ou várias!)

Um ano depois eu comecei a andar e a sambar na cabeça da tal professora. Assim como as feridas que eu adquiri engatinhando sozinha por lá, a Escola e a professorinha sumiram… pelo menos do meu campo de visão.

Aí eu lembrei o motivo de não conseguir lembrar do filho daquela simpática mulher: eu não convivia com as crianças da minha Turma nos momentos de recreação. Nem elas comigo. Minhas lembranças de lá são a cor do piso e uma almofada da Turma da Mônica que eu usava para sentar. Nada mais.

ããh, que script triste!

Paraa! Vou choraaaar

Os anos passaram e, como não sou uma árvore, mudei, obviamente, de lugar. Depois de mais uma busca nada fácil na Joinville de então, meus pais encontraram o local ideal para prosseguir meus estudos. Passei a frequentar um colégio com ensino forte, formação cristã e um charme tradicional, o que contava com suntuosas escadas do início do século XX.

Enquanto os anos passavam eu mais feliz ficava. Mas tinha um porém: Aquela arquitetura era Bonitinha, mas ordináária. Parecia que escada era uma tara da pessoa que projetou aquele lugar. Até banheiro tinha degrau.

Enquanto escalava aquelas inúmeras escadas confesso que cheguei a pensar: “Será que minha dificuldade de locomoção é inédita por aqui?”

Mas quem quebrava o pé também passava um mau bocado naquelas frias escadarias: Era carregado como um saco de cimento – com direito à plateia de crianças com olhos bem arregalados.

Os pedidos de modernização e instalação de itens que facilitassem a acessibilidade de todos pareciam incomodar os mais conservadores. Sabe, ia modificar a história do lugar.

Não, não e não!

Então, em um belo dia de primavera, alguém percebeu minha dificuldade com as escadas e teve a brilhante ideia: A Larissa passará os intervalos (ou recreio, se você está no colégio) na sala de aula. Assim ela estará protegida das pessoas maiores do que ela, eliminando o risco de cair da escada. Ela pode ter a companhia de uma amiguinha… só para não enlouquecer.

Eu virei praticamente zeladora da minha sala de aula:

“Cuida do meu diário?”

“Cuida do meu relógio?”

“Cuida da minha bomba caseira?”

Enquanto formulava este post, eu fiz uma pergunta: Porque estas pessoas teimavam em fazer essa “separação”? Seria medo? Seria o tal do preconceito? Seria inveja dos meus cabelos então mega lisos? Nenhuma destas alternativas.

Foi aí que fiz a descoberta:  o nome disso é segregação disfarçada de proteção.

Ahá…Na mosca!

Não sabe “o que fazer” com o aluno ou o local não oferece o mínimo de acessibilidade para sua autonomia? Vamos “protegê-lo“. Tapetinho da disciplina nele! É aí que a segregação se traveste de proteção e sai rodopiando por aí. 

E há diferenças entre EXCLUSÃO, SEGREGAÇÃO, INTEGRAÇÃO e a pretendida INCLUSÃO:

Didático!

Tem muito material a este respeito por aí. Mas sejamos concisos:

Exclusão é o que podemos chamar de “nem vem que não tem”.

Integração é a formação de um, digamos… GUETO.

Segregação é passar o intervalo da sala, já que tem uma escada no meio do caminho.

 

Eu sei, esta consciência é extremamente nova… mas que estas histórias não mais se repitam.

Gzuiz viu isso, ‘tia’!

Quem não tem elevador…

Ah, o elevador… Essa obra-prima da vida moderna! Facilita nossa vida de tal maneira que, muitas vezes, nem percebemos sua importância em nossa rotina.

Além de tudo, sempre podemos desfrutar do repertório do Kenny G. e ouvir barulhos de correntes.

Mas… e quando ele falta? Quero dizer: como qualquer “máquina”, deteriora, e precisa de manutenção periódica. E contra isso, não há o que ser feito.

Nem no fantástico mundo da 7a arte isto tem solução:

Mas quando a manutenção é “eterna” e só há um elevador no ambiente?

Juro que essa imagem é do Google

Quando a paciência chega no limite, é claro que penso que é feito de propósito.

“Vamos deixar em ‘manutenção’ por mais uma semana!”

GRRR!!

Alguns dias atrás, uma leitora mandou essa imagem para o blog:

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Esse elevador fica em uma agência bancária com nome de recipiente em Joinville. Ao perceber que uma pessoa idosa estava com muita dificuldade para descer as escadas, vislumbrou o elevador “interditado”. Não sabemos se esta situação é momentânea ou está assim há vários meses.

A situação é corriqueira, e é uma pena, pois não se mensura a autonomia que um elevador pode trazer à vida de alguém com alguma restrição física. Sem um elevador, uma escada vira uma prova de rapel, cuja escalada, muitas vezes, sem ajuda de outrem, é impossível.

Elevador não é luxo! É uma necessidade.

Se você estiver frente a uma situação desta, não hesite: ofereça ajuda (sem grandes aparatos, please!) e, se possível, verifique o porquê da manutenção no único acesso ao piso superior. Em alguns estabelecimentos, pelo que sei, a Ouvidoria é o canal adequado a estas situações. Não deixe de despertar a Vera Verão que existe em você. 😉

E quando não tem jeito, mesmo? Aí o negócio é usar a criatividade e improvisar! Nada como o jeitinho brasileiro!

Lá na firrrrma, quando o elevador mais próximo da porta entra em manutenção, eu, with a little help from my friends, realizo o sonho de qualquer baixinho da Xuxa que cresceu frustrado: dou um digno rolé pelos corredores, até o próximo elevador, a bordo de uma cadeira office. É tão…tão #OLadoBomDaVida…!

Esse brinquedo não faz looping

Sobe? Desce? Pra frente!

Símbolos

Sabe aquele símbolo azul com o desenho de um zé-palito sentado em uma cadeira de rodas?

É o SÍMBOLO INTERNACIONAL DE ACESSO, tendo, portanto, o mesmo significado aqui em Joinville, em Tóquio e em todos os cantos do planeta Terra.

É um símbolo muito conhecido pelo seu significado, mas muita gente ainda vê pintado em um estacionamento e entende como “Vaga para 1 minutinho”.

O símbolo foi adotado em 1969 pela Rehabilitation International (RI), ONG com status de órgão consultivo da ONU e sediada em Nova York.

O desenho não poderia abrir margem para outras interpretações. Deveria ter um significado facilmente reconhecível e deveria ser identificado e destacado mesmo a uma certa distância.

Então Susanne Koefoed, da Dinamarca, criou o tal símbolo:

Que era preto e branco e... não tinha cabeça

Que era preto e branco e… não tinha cabeça

Mas, por sugestão da própria Rehabilitation International, uma cabeça foi acrescentada ao desenho, restando no símbolo adotado pela ONU, que é válido em Joinville, em Tóquio e em todos os cantos do planeta Terra:

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Com cabeça

Ocorre que, ativistas têm se posicionado contrários ao atual símbolo, dito “ultrapassado”, que mostra um indivíduo inerte e ofuscado pela “baita” cadeira de rodas.

É, os tempos são outros. Tem até vilã de novela sentada em cadeira de rodas.

Aí entrou em cena Sara Hendren, do Acessible Icon, que criou o desenho de um indivíduo capaz, ativo, independente e engajado:

Britney curtiu isso.

O novo desenho já foi adotado na cidade de Nova York:

E até na Índia!

Tunak tunak

Já vou mandar fazer o adesivo para meu carro. Vamos ver qual será a reação por aqui. 😀

É claro que um simples símbolo não vai, magicamente, contribuir para a acessibilidade – que é a única coisa que impede a real liberdade -, mas, se os tempos mudaram e, aquele indivíduo robótico do atual símbolo não representa mais ninguém, porque não mudar?

Segundo o blog do Marcelo Rubens Paiva, começou, no Brasil, uma campanha para atualização do símbolo que representa o idoso (pessoa maior de 60 anos) que, de igual maneira, tem preferência de estacionamento próximo da porta.

Pretendido novo símbolo

Eu entendo que disputar rosas no show do Rei desgasta qualquer coluna, mas por acaso você conhece alguém, no auge de seus 60 anos (“o novo 40”), do jeito que o atual símbolo de idoso representa?

Bruce Springsteen, 64 anos, no último Rock in Rio – “Essa imagem não me representa.”

Novos tempos, novos símbolos.