Como você se vê?

Quem anda comigo sabe: eu não ligo tanto para olhares curiosos. Mas isso já me incomodou muito, quase ao ponto de sentar no chão do banheiro, em posição fetal, e chorar ao som de alguma música da Fiona Apple.

A verdade é que parei de me incomodar no momento em que percebi que eu também reparo. É, eu também olho com mais atenção para alguém, digamos… diferente. Não que eu a-me fazer isso, mas nossos olhos se voltam com mais atenção. Não tem jeito. É da natureza do ser humano: somos movidos pela novidade, pelo diferente.
Você repara no cabelo diferente de sua vizinha, no sapato cafona da pessoa que espera na fila do banco ao seu lado, na calça-de-pescar-siri da colega, e na pessoa cambaleante que “chega chegando”. Afinal de contas, que graça teria a vida nesse planeta se tudo fosse “perfeito”?

Quando estou andando em algum lugar, imagino que estou assim:

“She’s a Lady… Whoa whoa whoa, she’s a Lady…”

Aí, olho a minha volta, e tem gente assim:

“Ai, o que é isso?”

Já vi até alguns indivíduos assim na fila do caixa do Big da Getúlio Vargas:

“Porque, Senhor? Tão bonitinha e deixasse desse jeito? Misericórdia”

Outros acham “bonitinho” o “jeitinho dela” e esboçam uma simpatia:

“Ah gente, olha o jeitinho dela!”

A verdade é que eu acabo me sentindo desse jeito:

“Meu cabelo está tão estranho assim?”

Mother of Lord!

Mas logo passa.
Sempre que fico aflita com olhares curiosos, lembro que aquelas pessoas não tiveram as mesmas experiências que vivi. A ordem é sorrir e continuar a nadar andar.

Enquanto fazia pesquisas para “lançar” esse blog, encontrei um vídeo maravilhoso da ONG Entre Rodas & Batom, que faz um trabalho incrível na promoção da valorização da menina e da mulher com alguma deficiência, informando, através de oficinas abertas ao público, sobre o cenário que estas mulheres vivem e sobre suas infinitas perspectivas de vida.

É, tem gente que nos dá #RazõesParaAcreditar.
Para promover a ONG, os alunos da ECA/USP criaram esse vídeo abaixo que, tirando a música Mimimi, retrata a realidade de uma simples voltinha na rua, na visão da moça e na nossa visão.

Passamos anos e anos assistindo a vídeos melosos de programas de auditório sensacionalistas para, enfim, encontrar algo genial, sensível, profundo e muito lúcido. E não é triste!

Essa moça tá/é diferente.

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