Apresentando o Sem Acesso

Confesso que fiquei com receio de “lançar” um blog… Acredito que escrever para um indeterminado número de pessoas é uma responsabilidade enorme. E esse não é mais um blog de múóda.

Eu preciso me apresentar:  sou Larissa Marcantoni Corrêa, tenho 25 anos e sou facilmente perceptível. Quero dizer: eu sou a guria cambaleante da muleta cor cobre, coisa que você não vê em todos os lugares.

Olha o jeitinho dela!

Minha deficiência não é nenhum segredo. Até porque, se quisesse disfarçar, não conseguiria, porque “é impossível disfarçar o indisfarçável”. Não gosto de fazer disto um tabu, mas nunca fui de contar, por exemplo, à pessoa que pega o elevador comigo e fala que conhece um curandeiro que vai dar jeito em mim.

Convivo com a deficiência, que você leu no Sobre, desde que nasci e, modéstia à Marte, aprendi a lidar com ela muito bem. Embora eu não me defina em função disto – porque é mais um detalhe sobre a minha pessoa – é um detalhe muito importante que levo aonde quer que eu vá e me transformou na pessoa que hoje sou. Mais precisamente na pessoa que se olha no espelho e diz:

Mas não faz muito tempo que passei a me incomodar com as privações de acesso aos lugares que frequentaria. Já cansei de ouvir de donos de estabelecimentos que a deficiência é um problema meu e que – mesmo desrespeitando normas de acessibilidade – o ambiente estava nos conformes.

Já cansei de bater nas vitrines de lojas, fazer cara de cachorro pidão e pedir que alguém me ajude a escalar as escadas que dão acesso ao interior do ambiente. E quando reclamo, sinto que a promessa por melhorias é um favor que o estabelecimento pode fazer “àquela menina”.

O que as pessoas esquecem é que a pessoa com deficiência – que, frise-se, é apenas um detalhe – é consumidor em potencial, assim como eu, você e a Lady Gaga.

Além disso, inexiste a noção de que você e a Lady Gaga podem, a qualquer tempo, necessitar de rampas, corrimãos, piso tátil, e todas aquelas coisas que esquecem no caminho de qualquer obra.

E, justamente por isso que o blog leva esse nome: SEM ACESSO.

Este espaço virtual tem a intenção de congregar quem convive com isso, seja você parente ou amigo de alguma pessoa com deficiência. Prometo não ser uma “incluchata” e somente abordar as questões de acessibilidade, justamente porque o intuito deste espaço é desmistificar a deficiência e compartilhar otimismo, mesmo nas situações mais pitorescas.

Aqui no Sem Acesso vou dividir minhas experiências vividas e história de vida. Sabe, nos anos 90, principalmente aqui em Joinville, eu só via pessoa “como eu” vivendo de forma solitária, pedindo esmolas no sinal ou contando suas tristes experiências de vida nas clínicas e hospitais. Não havia essa noção de que, no fundo, todos são assim… como eu e você!

Agradeço aos meus amigos e familiares que, de tanto ouvirem (e conviverem) as histórias engraçadas que passei, me deram coragem de encarar (mais) este desafio de adicionar algo a este mundo que, ao olhar de muitos, é restrito e “tão difícil, né?!”.

Entre em contato comigo e coloque quem você acha que vai gostar deste blog em contato também! Ficarei feliz com seu contato! Histórias não faltam para serem compartilhadas!

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